sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Bolsa Atleta completa 10 anos com dúvidas e suspeitas milionárias


FONTE José Cruz
Atletas pan-americanos foram ao Palácio do Planalto comemorar dez anos de vigência da Bolsa Atleta. E ajudaram na agenda positiva da presidente Dilma Rousseff, em momento de baixa popularidade, crise econômica e conturbada relação com o Congresso Nacional.  
Não há mais amadorismo financeiro no alto rendimento. É negócio de visibilidade, em que o atleta é fundamental para o faturamento de todos. Não foi para esses que a Bolsa foi criada  
A Bolsa e a dúvida
A Bolsa Atleta foi criada para suprir competidores sem dinheiro, pois o que era destinado ao Comitê Olímpico do Brasil, via Lei Piva, não chegava ao atleta e a chiadeira era muito grande.  Hoje, mesmo com 6.557 bolsistas, o choro continua. E se tornaram comuns rifas e vaquinhas de atletas para cumprirem  treinamentos e calendários, mesmo com R$ 6 bilhões de verba pública que financiou o último ciclo olímpico. Quem entende?
Discrepâncias
O tenista Thomaz Bellucci, 30º do ranking mundial coleciona 514 mil dólares de prêmios, este ano. Algo em torno de R$ 1,8 milhão! Nada contra Bellucci, mas ele merece Bolsa com o faturamento que tem? Da mesma forma João Souza, o Feijão, 85º entre no ranking do mundo, com premiação de R$ 847 mil e Bolsa Atleta?
Mais dinheiro
Os Correios investem R$ 7 milhões em 73 atletas do tênis e da natação. A maioria já contemplada com premiações e patrocínios particulares. Quem já chegou nesse nível profissional merece “apoio'' público, diante de milhares de carências dos que estão iniciando?
A Bolsa foi criada para os que precisam pagar ônibus até o treino, técnico, comprar vitaminas ou um melhor equipamento, reforçar a alimentação, enfim. O atleta de alto rendimento e de nivel internacional já tem suas fontes naturais de patrocínios particulares, como Bellucci, apoiado pela Embratel. Outros, recebem prêmios pelos pódios conquistados. No alto rendimento não há mais amadorismo financeiro. É negócio de visibilidade em que o atleta é fundamental para o faturamento de todos. A Bolsa não foi criada para esses.
Descontrole
Em uma década, as fontes de financiamento e os valores do esporte cresceram assustadoramente e sem controle do Ministério do Esporte, como o Tribunal de Contas da União já constatou. Mas os resultados dos atletas não são proporcionais aos bilhões de reais investidos. O atletismo é exemplo triste e recente.
A propósito…
A campeã olímpica, Maurren Maggi, também ganha Bolsa Atleta, R$ 3,1 mil mensais. Mas, em abril, ela declarou, ao vivo, que estava se aposentando. Será comentarista da Globo nos Jogos Rio 2016. Como o Ministério do Esporte contempla quem não tem mais pretensões de pódio, principalmente considerando que um dos requisitos para a Bolsa é “continuar treinando e participando de competições internacionais”?
Mais
Atletas suspensos por doping receberam Bolsa Atleta. Eventos de “fundo de quintal” tiveram a chancela de “internacionais”, só para aumentar o valor da Bolsa, para contemplados de fachada. O estranho é que o Conselho Nacional do Esporte passa ao largo dessas denúncias, e a festa continua…
E quem se sentir prejudicado que vá reclamar para o bispo…
Foto: PR/Roberto Stuckert Filho





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