quarta-feira, 17 de junho de 2015

Pânico na natação Dicas e truques para você não entrar nessa. E sair desta. Por Nicole Tauchmann


É muito comum encontrarmos pessoas que não fazem triathlon pois tem medo de nadar no mar. Da mesma forma, se perguntarmos a 10 triatletas o que mais temem em uma prova de triathlon, com certeza muitos dirão: a natação!!!
Não podemos comparar o nado na piscina, ambiente totalmente controlado, onde 99% dos atletas treinam, com o mar.
E no dia ‘D’, se somarmos toda expectativa da prova com o temor do nado no mar, primeira etapa da competição onde os atletas ainda estão tensos, com o mar ‘mexido’, correnteza, água gelada, pontapés e braçadas que levará dos adversários… pronto, está criado o cenário perfeito para se instalar o pânico.
O transtorno do pânico é definido como crises recorrentes de forte ansiedade ou medo. As crises de pânico são entendidas como intensas, repentinas e inesperadas, que provocam nas pessoas sensação de mal estar físico e mental juntamente a um comportamento de fuga.
Os sintomas de um ataque de pânico geralmente incluem pelo menos quatro dos seguintes itens: sensação de falta de ar, sufocamento, asfixia ou hiperventilação; aperto ou dor no peito; taquicardia; fadiga extrema, boca seca; tremores, tonturas, vertigens e confusão mental; sensação de dissociação do corpo; sensação de morte eminente, e/ou desejo de fugir da situação atual.
Os ataques de pânico são muitas vezes mais intensos logo que se iniciam, e geralmente não duram mais do que alguns minutos. Mas para um atleta em uma situação de nado no mar, isso pode se tornar muito perigoso. Pois além de estar em um ambiente que dificilmente conseguirá ajuda imediata, pode não reconhecer que as sensações sentidas são causadas por ansiedade ou medo.
Um estudo feito com atletas de Ironman descreveu a ansiedade na natação como a segunda maior preocupação na competição. A primeira foi sobre “não ter um bom dia”. E há algum tempo as mortes no triathlon durante a natação, embora raras, têm causado uma curiosidade devido à ausência de respostas.
Mas para que a etapa da natação não coloque sua prova e vida em risco, seguem algumas dicas:
REGRAS
Ao decidir fazer uma prova, procure conhecer as regras. Saiba detalhes da largada, segurança, percurso, distância das boias, condições do tempo e do mar. Assim você poderá planejar suas estratégias. Surpresas e o desconhecido geram ansiedade, portanto conheça detalhadamente cada etapa da competição.
NO MAR
Faça treinamentos no mar quando possível. Pois o corpo precisa se adaptar ao novo meio. Nade com roupa e sem roupa de borracha. Viver esta experiência vai, aos poucos, desmistificando crenças que podem estar gerando o medo ou ansiedade do nado no mar. Torne o desconhecido, conhecido.
AQUECIDO
Se a prova acontecer em um dia frio mantenha o calor desde o acordar, se agasalhe bem ao levantar colocando roupas para não perder o calor até o início do aquecimento, minutos antes da largada.
Se aqueça para adaptar o corpo ao que vai acontecer. Corra, trote de 8 a 12 minutos com alguns tiros de 30 segundos para acordar o corpo. Assim você desperta e prepara o corpo para a atividade. Depois faça um aquecimento rápido na água, para não sentir o ‘choque’ da temperatura junto ao estresse da largada. Sinta a água em contato com o corpo.
POSICIONAMENTO
Na largada se posicione atrás ou nas laterais, dependendo do seu nível, e comece nadando em ritmo progressivo, pois os 300m iniciais são quando um conjunto de tensões costumam acontecer. Neste momento procure voltar sua atenção às braçadas e à respiração. Pense positivo.
EXPECTATIVA
Lembre-se que a expectativa deve ser coerente com seu nível de treinamento atual. Se ela não estiver de acordo, como por exemplo esperar ter uma performance muito acima da sua realidade atual, a ansiedade e frustração poderão acontecer.
MENTALIZAR
Antes da prova, mentalize todos os possíveis cenários (condições adversas) e encontre saídas para cada uma delas.
Faça auto-afirmações positivas, falando baixo para você mesmo frases como “estou apenas ansioso, e isso é compreensível”.
Compartilhe este medo com outras pessoas – seu técnico e outros atletas poderão ajudá-lo. Com certeza você encontrará pessoas que sentem o mesmo que você, e poderão ter uma boa dica para dar. Saber que você não está sozinho faz toda a diferença!
E caso uma crise de pânico ocorra, procure nadar o estilo peito, mantendo a cabeça fora d’água, com calma, bem devagar! Saia da rota dos demais atletas. Observe se existe algum caiaque ou barco por perto e peça ajuda. Se estiver com roupa de borracha ela o ajudará a boiar sem precisar fazer tanto esforço. Procure não lutar contra os sintomas, pois eles logo passarão. Contrair o corpo não será uma boa atitude neste momento. Abra o peito e tente fazer ciclos respiratórios longos, isto significa expirar e inspirar profundamente utilizando principalmente o abdomen. Lembrar de algum momento especial de sua vida em que você se superou, onde após muito esforço e empenho conquistou os seus objetivos pode ser uma excelente saída.
E não esqueça de agendar uma consulta com um especialista após o retorno à sua cidade.
Estas dicas somadas a um posicionamento mental de que tudo vai dar certo com certeza fará você obter sucesso, conseguindo assim colocar em prática todo o treinamento realizado. Boa sorte e boas braçadas!

Nicole Tauchmann
Psicóloga do Esporte
nicole@trisport.org

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