quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Raio laser para analisar o estado físico e de saúde do nadador


Letícia  Parada Moreira, aluna vencedora  na área de saúde do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica – Cobric 2015  utilizou da Técnica Raman, para analisar a urina de atletas de natação da Unisanta por meio um aparelho chamado espectômetro. O método é  utilizado pela polícia para detectar drogas ou explosivos em aeroportos e,  na medicina,  para descobrir tumores. Pela primeira vez,  segundo a estudante, foi empregado no esporte.      
Um raio laser de baixa potência incide na amostra de urina do atleta. A partir da vibração das moléculas desse material, os marcadores da ureia, da creatinina e da glicose ali presentes, analisados em computador, indicam o estado físico e de saúde do atleta. Tudo rápido, não invasivo, o que permite saber se o treinamento está sendo adequado ou não, ou se há problemas de saúde.
O que para os leigos pode parecer ficção científica, para os que estudam ciência trata-se da chamada espectroscopia Raman, técnica de alta resolução descoberta em 1928 pelo físico indiano Chandrasekhara Venkata Raman, aplicada em aeroportos para detectar cocaína e explosivos, na área médica para analisar tumores e fluídos corpóreos, além de ser utilizada em investigações forenses e até como ferramenta de pesquisa de vida em Marte. Mas até agora, segundo a estudante, nunca havia sido utilizada na área esportiva.
“Não encontramos na literatura científica mundial nenhum trabalho desse tipo aplicado no esporte”, afirma Leticia Parada Moreira, que venceu o Prêmio Milton Teixeira do COBRIC 2015 na área de saúde. A estudante cursou o oitavo e último semestre de Educação Física na Unisanta e desenvolveu  seu projeto no Laboratório de Fisiologia do Exercício e Saúde (LAFES)  da Universidade.
Em poucos segundos, a técnica proporciona informação química e estrutural de quase qualquer material, composto orgânico ou inorgânico.
“Essa técnica é muito aplicada na área médica e na área química, tanto que existem trabalhos onde o Raman foi utilizado para detectar tumores no cerebelo, células cancerígenas na pele, além da polícia federal brasileira utilizá-la para detectar cocaína em diferentes materiais. Mas na área esportiva não há nenhum estudo. O nosso trabalho é inédito na literatura em âmbito nacional e internacional”, afirma Letícia.
Como funciona

FOTO Gráfico mostra desempenho do nadador
A espectroscopia Raman se baseia na análise da luz sobre o objeto analisado, quanto a sua frequência e intensidade. Trata-se de uma técnica fotônica, que é a ciência de geração, emissão, transmissão, modulação, processamento, amplificação e detecção da luz.
Segundo os acadêmicos esse “é um método padrão ouro,  porque permite uma avaliação não invasiva e imediata, ou seja, não é preciso fazer nenhum tipo de preparo na amostra, como uma pulverização. “Colocando a amostra na direção do laser do espectrômetro Raman, a leitura será feita e as informações serão enviadas para o computador onde serão gerados os espectros, que são gráficos com os picos dos metabólitos presentes na amostra estudada.
“Então essa é a grande vantagem, você tem um custo muito baixo, uma tecnologia muito apurada  e os resultados em pouco tempo”.
Ajuda nos treinos

FOTO Paula Jardim
O objeto da análise foi a urina dos nadadores.  Foram avaliados no projeto 23 nadadores da equipe principal da Unisanta das  categoria Júnior 2 e Sênior, onde estão campeões nacionais, de renome  mundial.
“Para o esporte, ter uma tecnologia dessa aliada ao treinamento agrega muito.  Os atletas da Unisanta treinam em dois períodos, manhã e tarde. Se você avaliar os nadadores pela manhã, à tarde você já pode emitir o resultado para o treinador. E partir do laudo, ele pode ajustar o treinamento no momento”.
Se, por exemplo, o treinador fosse prescrever um estímulo mais intenso à tarde e ao analisar o laudo ele observar que um dos atletas apresentou pico de ureia aumentado, ele já poderá modificar o estímulo imediatamente.  A ureia é um marcador confiável para o catabolismo protéico, explicam os acadêmicos.

Quando um atleta apresenta pico aumentado desse metabólito, significa que ele está treinando muito e descansando pouco. Metabólito  é o termo utilizado em Farmacologia e Bioquímica, em especial na farmacocinética, para um produto do metabolismo de uma determinada molécula ou substância.
Nas análises feitas na Unisanta em um dos nadadores, ícone da natação brasileira, campeão olímpico da juventude, campeão sul americano e pan-americano e diabético tipo 1, não foi constatada aumento de glicema, demonstrando que o treinamento estava não só melhorando o desempenho físico dele, mas também preservando a sua saúde. Sobre a creatinina, se o atleta apresentar um pico aumentado desse marcador significa que ele está com alguma desordem na função renal, o que acaba prejudicando o desempenho.

Os alunos foram orientados pela professora de Educação Física Débora Rocco, doutora pela Faculdade de Medicina da USP e pelo Dr. Alexandre Galvão da Silva. O espectômetro foi emprestado de uma instituição de ensino (onde é utilizado para  estudos biomédicos), por intermédio do coordenador dos programas de Mestrado da Unisanta, o Prof. Dr. Marcos Tadeu, engenheiro, com área atual de interesse em bioengenharia. Ele  é um dos maiores expoentes nas pesquisas com Espectroscopia Raman, responsável pela “ponte” entre o stricto sensu e a graduação para o desenvolvimento do nosso estudo.
Os alunos tiveram apoio do técnico de natação Márcio Latuf, da  profª. Rosa do Carmo, diretora do Departamento de Natação, do Prof. Dr. Landulfo, engenheiro biomédico, do Prof. Ms. João Carlos Teixeira de Souza Barros, diretor da Faculdade de Educação Física da Unisanta e do coordenador Prof. Nicolau Teixeira.
Essa foi minha segunda iniciação científica de Letícia Parada Moreira realizada no do Laboratório de Fisiologia do Exercício e Saúde – LAFES, da Unisanta.

Pesquisa continuará
“Concluímos que a padronização da técnica Raman foi eficiente para creatinina, ureia e glicose, demonstrando que o treinamento dos atletas estava adequado do ponto de vista fisiológico. Não há ninguém trabalhando com a Espectroscopia Raman no desempenho físico humano. Por isso, nós iremos continuar nessa linha de pesquisa”, afirma Letícia.
“O atual desafio é desenvolver a padronização de outros marcadores de desempenho presentes na urina, além dos três que foram alvo da nossa pesquisa. Dessa forma, podemos ter um quadro do estado fisiológico dos atletas muito mais preciso. Pretendemos padronizar essa técnica na saliva e no suor para que as coletas e os tempos de análises sejam mais rápidos ainda”.
Por Elaine Saboya
IMPRENSA UNISANTA




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