domingo, 31 de janeiro de 2016

RECORDISTA MUNDIAL DE NATAÇÃO, BRANDONN ALMEIDA É A ESPERANÇA EM 2016



AOS 18 ANOS, JOIA DA NATAÇÃO BRASILEIRA É TRATADO COMO A MAIOR REVELAÇÃO DAS PISCINAS DESDE CESAR CIELO. ELE SE ESFORÇA PARA NÃO SE DESLUMBRAR COM OS TÍTULOS
Em uma terça-feira de setembro, chovia um oceano em São Paulo como há muito a capital paulista não via. Protegido pela cobertura do parque aquático do Corinthians, clube do qual é sócio e que defende desde criança, Brandonn de Almeida se sentia em casa. Nadador brasileiro sensação desta temporada, ele apenas deixava o tempo passar no último dos sete dias de descanso previstos por seus treinadores. Em um intervalo de um mês, entre julho e agosto, Brandonn se
tornou campeão pan-americano adulto, nos Jogos de Toronto, e mundial júnior, em Cingapura.
As façanhas renderam um apelido de respeito: “Tsunami”. Mais do que isso. Aos 18 anos, ele entrou de vez na lista de esperanças de medalha para o País na Olimpíada do Rio. Para chegar até lá, o caminho já está definido. A jornada começa no Open de Natação, torneio seletivo para 2016 que será realizado em dezembro, em Florianópolis (SC). No Troféu Maria Lenk, em abril, Brandonn nadou os 400 m medley e os 1.500 m livre, suas especialidades, abaixo dos tempos exigidos para garantir presença na Olimpíada, mas a competição não contava como seletiva. Seria um desastre o nadador que representa o Corinthians não conseguir a vaga. “O Brandonn é a maior revelação da natação brasileira desde Cesar Cielo”, crava Ricardo Prado, ex-recordista mundial e prata nos 400 m medley em Los Angeles-1984.

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O ex-recordista mundial Ricardo Prado deixou o seguinte recado no Facebook do garoto: “Eu já vi muito cara bom nadar. Como você, vi poucos”
Desde a categoria infantil até hoje o jovem nadador paulista registrou recordes em todos os campeonatos brasileiros. Prado, certa vez, enviou uma mensagem a Brandonn pelo Facebook depois de ver a então promessa nadar em um campeonato: “Eu já vi muito cara bom nadar. Como você, vi poucos”. Atualmente, esse filho de uma assistente parlamentar e de um radiologista é recordista mundial júnior nos 400 m medley – marca obtida na final dos Jogos Pan-Americanos de Toronto e que valeu o ouro após o multimedalhista Thiago Pereira ser desclassificado por um erro em uma das viradas. É também de Brandonn o recorde brasileiro adulto nos 1.500 m livre. “Fico surpreso com os meus resultados”, diz o garoto. “Fui para o Pan pensando em ganhar uma medalha, sem importar a cor. Mas aí fiz o melhor tempo da minha vida, bati recorde mundial júnior e ganhei o ouro dos 400 medley.”
O nome Brandonn é uma homenagem a um dos filhos de Bruce Lee, ator e maior lenda da história das artes marciais. Fã de música e de esportes, Miriam, a mãe do nadador, registrou os filhos com nomes peculiares. Resultado: o nadador Brandonn Pierry de Almeida é irmão de Bruce Hanson de Almeida, 17 anos, (o “Hanson” é inspirado na banda teen americana), e de Barkley Lyonn de Almeida, 21 (“Barkley é um ex-pivô na NBA que jogou no Dream Team na Olimpíada de Barcelona-1992). Bruce também é nadador e defende o Corinthians na categoria Júnior 1. Barkley pratica muay thai, arte marcial de origem tailandesa que virou febre no Brasil. Foi só recentemente que Brandonn teve curiosidade de saber mais sobre o personagem que inspirou o seu nome. “Tive que descobrir, porque toda hora me perguntavam.”
Além da natação, Brandonn treinou judô, taekwondo e futebol. Mas foi nas piscinas que se encontrou. “Aos 3 anos, eu quis fazer uma aula na academia onde o Barkley nadava”, diz. “Nunca mais parei de nadar.” Desde muito cedo cumpre o mesmo ritual antes de cair na água. Ele se dirige ao balizamento com fone nos ouvidos, tênis de cor chamativa e uma toalha verde da sorte, a mesma que usou em várias competições. Brandonn sobe no bloco de largada sempre com o pé direito e faz o sinal da cruz. Funcionou bem no Pan de Toronto, competição que o tirou de vez do anonimato com o ouro nos 400 m medley e o bronze nos 1.500 m livre. “Quando desci do pódio dos 400 m medley, olhei para a arquibancada do parque aquático e vi cinco pessoas acenando para mim”, diz. “Eram o Gustavo Borges e a família dele. O cara é o meu ídolo e estava acenando para mim. Foi inesquecível.”
Ao retornar para o Brasil após o Pan, mais surpresas. “Tinha gente no aeroporto pedindo para tirar foto comigo”, conta. “Outro dia, estava no metrô e um policial me perguntou se eu era o nadador que tinha sido ouro no Canadá.”

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Com atletas da seleção (acima), ao lado da mãe Mirian, quando criança, e hoje em dia na piscina do Corinthians: o nome peculiar é uma homenagem a Brandon Lee, filho do lendário ator e lutador Bruce Lee
Brandonn mora com a mãe na zona leste de São Paulo, perto do Corinthians, e leva uma vida pacata. A maior diversão, além das piscinas, é ir ao shopping com a namorada, também nadadora. Graças à carreira do filho, a assessora parlamentar de origem humilde que nunca pensara em viajar ao exterior passou a se desdobrar para acompanhar o atleta em competições internacionais. Com muito esforço, ela juntou dinheiro para acompanhar o filho em torneios em Dubai, Cingapura, Chile e Peru. É Miriam que revela um passado que Brandonn não gosta de comentar. “Dos sete aos 11 anos, meu filho foi modelo, fez dança moderna, desfilou em shopping e fez propaganda em tevê”, afirma. “Ele largou isso tudo quando, certa vez, teve de retornar de uma competição antes do final por causa de um compromisso como modelo. Foi um trauma e ele resolveu ficar com a natação.”
Como mostram as performances do jovem atleta, a decisão foi acertada. Ele conta com um patrocínio assinado recentemente com os Correios, recebe salário do Corinthians e dinheiro do programa Bolsa-Atleta. Mas isso é só o começo. Se tudo der certo, os Jogos do Rio devem abrir mais portas. Para suportar a pressão por resultados, Brandonn faz terapia há dois anos e diz que aprendeu a transformar as cobranças em pontos positivos. Para Ricardo Prado, os Jogos do Rio serão apenas o início de uma carreira que tem potencial para ser fantástica. “Mesmo que o Brandonn não vá bem no Rio, não quer dizer nada”, diz o ex-medalhista olímpico. “Ele vai evoluir muito e terá muitos torneios pela frente.” Só o tempo poderá dizer se o tsunami Brandonn será mesmo uma onda de longa duração.
Foto: DAMIEN MEYER/AFP, Emiliano Capozoli, Reprodução
N° Edição: 11 Crédito por Rodrigo Cardoso 24/10/2015




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