domingo, 31 de julho de 2016

POLIANA OKIMOTO MARATONISTA AQUÁTICA Nº 1 DO RANKING MUNDIAL RELEMBRA INICÍO DIFÍCIL COM O MAR



Maratonista aquática brasileira conta como se prepara para a prova dos Jogos de 2016, divisor de águas em sua trajetória, e fala do pânico de quando trocou as piscinas pelo mar: "eu morria de medo do oceano"
foto Poliana posa com maiô Jo de Mer na piscina do clube Esperia, em São Paulo, onde treina diariamente para os Jogos Olímpicos do Rio (Foto: Cassia Tabatinia)
Comecei a nadar aos 2 anos, quando minha mãe matriculou a mim e meu irmão numa escola de natação na zona leste de São Paulo, onde morávamos, e imediatamente tomei gosto pelo esporte. Aos 7, já passei a treinar para valer. Até os 12 anos, as provas se restringem aos 25m e 50 m. Eu não me saía bem nessas competições, sinal de que as provas curtas não eram minha praia.

Mas desde pequena meu técnico via que eu tinha talento quando o assunto era resistência. Quando a idade permitiu que eu começasse a participar das disputas mais longas, bati o recorde dos 400m do campeonato paulista. Aos 14 anos, venci o Troféu Maria Lenk, um dos principais torneios da natação brasileira - a segunda colocada estava na casa dos 20. Minha carreira decolou de maneira precoce: logo passei a nadar profissionalmente.
Em 2005, dei uma guinada em minha trajetória: troquei a piscina pelo mar. A maratona aquática parecia ser a modalidade perfeita para minha resistência às provas longas. Mas eu morria de medo do oceano, de peixe, de tubarão. Na véspera da minha primeira disputa, a da Travessia dos Fortes, no Rio de Janeiro (com largada do Forte de Copacabana e chegada no Forte do Leme, totalizando 3.800m de distância), fui treinar no mar para me ambientar. Fiquei em pânico e saí da água chorando. Mas no dia seguinte ganhei a competição.
O esporte é sempre uma caixinha de surpresas: em 11 anos nadando em mar aberto, já passei por quase tudo nas provas, até competir ao lado de leões-marinhos (que felizmente eram mansos e renderam fotos lindas no fim das contas!).
Diferentemente da piscina, na maratona aquática estamos em um ambiente onde não conseguimos controlar nada. Por isso, muitas vezes quem ganha não é o melhor nadador, mas o mais resistente às ondas, ao frio ou ao calor excessivo. Sou franzina, mais magra que as outras maratonistas e não tenho músculos aparentes, mas compenso essas desvantagens com minha força de vontade. 

Foto A nadadora aos 4 anos: primeira vitória veio aos 12 (Foto: Arquivo Pessoal)
No ano seguinte à minha estreia no mar, tive o tímpano perfurado quando disputei pela primeira vez o Circuito Mundial de Maratonas Aquáticas, em Nápoles. Levei uma cotovelada de outra atleta logo na largada da prova de 10km (eu já havia sido vice-campeã na competição dos 5 km). Senti muita dor, mas segui em frente.

Apesar de o ouvido estar sangrando, consegui nadar até o fim e cheguei em segundo lugar, o que para mim foi equivalente à primeira colocação. Só depois me dei conta do que tinha acontecido. Passei por uma cirurgia, fiquei três meses afastada do mar, mas me recuperei a tempo de conquistar a medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos de 2007, no Rio, e uma vaga nas Olimpíadas de Pequim no ano seguinte (fiquei em sétimo lugar na competição).
Outro marco importante veio em 2009, aos 26 anos,quando me tornei a primeira brasileira a vencer um Circuito Mundial de Maratonas Aquáticas - ganhei nove etapas das 11 das quais participei, um recorde de vitórias.

Mas, como a vida de atleta é feita de altos e baixos, passei por situações difíceis em momentos cruciais. Em 2012, nos Jogos de Londres, vivi o pior pesadelo de quem disputa uma olimpíada. Fui obrigada a abandonar a prova, algo que nunca havia acontecido antes, depois de sofrer uma hipotermia. Desisti na quinta volta das seis previstas. A temperatura da água do lago Serpentine, no Hyde Park, onde aconteceu a maratona, era de 16°C, com correntes de 14°C. Meu corpo não aguentou.

O episódio quase me fez desistir do esporte, passei alguns meses desmotivada. Mas no ano seguinte compensei a frustração. No campeonato mundial, em Barcelona, ganhei medalha de ouro na prova dos 10 km, a mesma distância da prova olímpica; prata nos 5 km e bronze nos 5 km por equipe. Foi um resultado brilhante. Era como se estivesse me dando mais uma chance, e foi ali que provei para mim mesma que tinha condições de vencer.
No ano passado, enfrentei mais um desafio. O campeonato mundial de Cazã, capital do Tartaristão, na Rússia, não foi um bom momento para mim. Fiquei em sexto lugar, mas, ainda assim, consegui me classificar para as Olimpíadas do Rio [Poliana está liderando o ranking mundial este ano].

Quando cheguei à cidade, me senti estranha. Nadei mal durante os treinos e, para completar, fiquei menstruada no dia da competição, o que interfere muito no rendimento. Infelizmente é assim: a gente se prepara por dois anos, mas, no dia D, não acorda bem, e isso influencia no resultado.

Mas eu havia treinado tanto e estava tão certa de que tinha condições de competir que me classifiquei. Se não tivesse conseguido, encerraria minha carreira naquele momento, pois os Jogos de 2016 são minha última chance de conquistar uma medalha olímpica. Na próxima edição já terei 37 anos. Além disso, quero ser mãe.
Em fevereiro, comecei de fato a preparação para as Olimpíadas do Rio. Minha rotina é espartana e se resume em treinar, comer e dormir. Às 7h30 entro na piscina do clube Esperia, em São Paulo, às 21h30 já estou na cama e volta e meia choro nos treinos por causa do cansaço físico.

Depois de Londres, passei a treinar cada vez mais em baixas temperaturas para me acostumar com a água gelada do mar. Tremo de frio, tenho medo de ficar doente, enfrento tudo isso. Terei a vantagem de competir em casa, dormir no nosso fuso horário, falar nossa língua, comer nossa comida. São coisas que a gente sente falta lá fora. Em Cazã, as refeições da vila olímpica eram muito ruins. Além disso, não posso comer glúten porque sou celíaca. 

Nos Jogos Pan- -Americanos do Rio, em 2007: medalha de prata (Foto: Getty Images )
É a repetição que leva à perfeição, e o dia a dia do atleta é assim. A última vez que fiquei acordada até tarde foi no réveillon. Na manhã seguinte, já estava na piscina. Perdi os casamentos do meu irmão e da minha melhor amiga por estar fora do Brasil competindo. Este mês vou perder a formatura do meu outro irmão para ir ao México fazer um treinamento em altitude para melhorar a parte aeróbica antes dos jogos.
Em 20 anos de carreira, nunca treinei tanto e tão bem. Meu técnico é oRicardo Cintra, ex-nadador e meu marido há 12 anos. Com o tempo acabei me acostumando ao seu método. Este ano ele falou: “esta será sua última competição olímpica, então vamos treinar como loucos”. De 60 km, passei a nadar 100 km semanais. A troca do preparador físico e da nutricionista também foi fundamental, e me senti desafiada novamente.
É difícil separar o marido do técnico. Muitas vezes a gente leva problemas do treino para casa e vice-versa. Mas conversamos muito e nunca dormimos brigados. Ricardo é exigente e muitas vezes me faz chorar, mas sei que é pelo meu bem. Ele entende melhor meu corpo do que eu: olha para mim, me vê com a coxa mais inchada e avisa: “acho que você vai menstruar”. Nesses dias, ele toma mais cuidado como que fala!
Não gosto de pensar no futuro ou planejar o que vou fazer quando me aposentar porque perco o foco. Mas sempre quis expandir meu amor pelo esporte descobrindo talentos da natação, não como técnica,mas como “olheira”. Quero criar um projeto com meu nome no esporte em que o atleta comece sua formação no mar desde pequeno - geralmente os maratonistas são ex-nadadores de piscina.
Minha infância e adolescência não foram “normais” porque estava sempre treinando. Por outro lado, a natação me deu muita coisa: conheci mais de 30 países antes dos 30 anos, ajudei meus dois irmãos a se formarem em medicina,comprei meu apartamento e realizei o sonho de subir ao pódio várias vezes. Depois de uma vitória, o pensamento é sempre o mesmo: “quero mais”. E é isso que me move. Não existe sensação melhor.
Fonte e fotos Revista Vogue











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