quinta-feira, 9 de março de 2017

OS CINCO EQUÍVOCOS MAIS COMUNS DO NADO PEITO POR EDUARDO FISCHER


Foto 1


“Se nadar apresenta-se como uma arte, o nado peito é sua obra prima”
Nenhum filósofo renomado disse isso, fui eu mesmo quem inventou agora mesmo …. (risos).
Brincadeiras à parte, o nado mais lento da natação é também o mais “técnico e difícil”. Controvérsias à parte, enquanto todos os outros nados utilizam-se de pernadas similares (pés de bailarina), o nado peito é totalmente distinto, e tem uma pernada “Sui generis” (pés de sapinho).
Apesar de poucas pessoas saberem isso, o nado de peito foi o primeiro a ser “inventado”, e por isso era conhecido como o “estilo clássico”.
O estilo empregado no primeiro campeonato de natação realizado em 1837, na Inglaterra, foi o nado de peito clássico, que era executado de lado e conhecido como “braçada inglesa”, sendo considerado então o melhor nado livre. Na busca de uma forma mais eficiente de nadar, o peito foi decaindo e dando lugar a outros estilos, até o surgimento do crawl, onde se tornou a forma de nado livre mais rápida conhecida até hoje.
Aliás, até pouco tempo atrás (1953) o nado borboleta era nadado com pernada de peito.
Deixando os dados históricos à parte, vamos ao que realmente interessa à vocês leitores.
Durante minha carreira profissional como atleta olímpico de peito, vivenciei alguns erros mais comuns que um nadador de peito pode cometer (muito cometidos por mim e corrigidos pela análise biomecânica).
Vou citar 5 deles que considero os mais comuns, e que consequentemente prejudicam sua performance ideal:
1 – Na primeira fase da pernada, promover uma flexão de “coxa sobre quadril”, ao invés de “perna sobre coxa”:
Ainda que pareça um erro corriqueiro entre os iniciantes ao nado de peito, eu mesmo tive que praticar muito para melhorar esse ponto no meu nado. Trazer a coxa em direção ao quadril em demasia, é um erro que causa um grande prejuízo à fluência ao nado, pois cria uma “parede hidrodinâmica” que não permite a passagem da água e anula o deslize do nado. O angulo ideal entre a coxa e o quadril é na ordem de 120º.
Percebam pela sequência abaixo (retirada de uma avaliação biomecânica que fiz em 2001), que eu cometia esse erro. Após muito exercícios técnicos para correção dessa falha, tive uma melhora significativa nos meus tempos. Apesar de manter meu quadril sempre alto (algo positivo), minha flexão de coxa sobre quadril estava muito acentuada, prejudicando o deslize do nado.
Foto 2

Aliás, realizar esse movimento com essa precisão “cirúrgica” de 120º, requer não só muito treino e técnica, mas uma boa flexibilidade, algo de deve ser especificamente trabalhado.
Vejamos o “angulo perfeito” em ação:
 Foto 3

 2 – Na segunda fase da pernada, promover uma abertura excessiva entre os joelhos:
Depois de preparada a pernada (1ª fase), para realização da finalização ou “coice”, a abertura das coxas (2ª fase) é outro ponto de atenção muito importante. Abrir (ou separar) as coxas em excesso, pode ocasionar uma perda na força da pernada.
Como se não bastasse, além de produzir uma menor propulsão (por não contribuir para aplicação ideal da alavanca – teoria de Arquimedes), a abertura em demasia pode “retardar” o timing do nado, prejudicando toda a fluência do nado que é extremamente importante. Nesse caso, o angulo ideal entre os joelhos é de 45º:
Foto 4

Obviamente que um bom trabalho para melhor o primeiro erro, automaticamente irá ajudar a corrigir esse segundo, eles estão intimamente conectados, apesar que não necessariamente “caminhem juntos”.
3 – Na primeira fase da braçada (varredura para fora), iniciar o movimento antes de finalizar a pernada (o fator “X”):
No nado peito, quase tudo se resume ao TIMING. O momento correto de iniciar um movimento apos a finalização do anterior pode ser crucial e determinante para um nado mais rápido, mais fluido e menos cansativo. Aproveitar cada movimento, sua propulsão e seu deslize, procurando perder pouca velocidade de nado entre a braçada e a pernada, é um dos grandes desafio do nado peito.
O fator “X” é um grande responsável pelo timing incorreto. Iniciar a braçada (com a varredura para fora), antes mesmo de finalizar completamente a pernada é um dos erros mais comuns quando tentamos acelerar o nado em provas curtas de velocidade. Tomei a liberdade de nomear esse erro de fator “X” pois o retrato dessa falha está na foto abaixo:
Foto 5

Se traçarmos uma linha reta entre a mão esquerda e o pé direito, bem como entre a mão direita e o pé esquerdo, temos exatamente um “X” desenhado.
Como podem ver na foto acima, na mesma avaliação biomecânica que realizei em 2001, constatamos que quando eu acelerava o nado, o fator “X” surgia com de forma clara e explícita. Foram necessários muitos educativos e muita concentração e foco nas séries aeróbicas para corrigir esse erro. Um bom “parâmetro” para ajustar esse problema é: apenas inicie uma braçada depois de encontrar (tocar) um pé no outro ao final da pernada. Será fácil fazer isso devagar (treinos de A1), contudo, bem mais difícil nas séries anaeróbicas e de velocidade.
Quem nunca ouviu algum peitista dizer que “patinou muito nos metros finais na prova”. Geralmente ela acha que isso acontece porque estava cansado, quando na verdade isso ocorre por “simples” afobamento do atleta em iniciar uma braçada no tempo incorreto (antes de finalizar a pernada).
Nem sempre fazer movimentos mais “rápidos” lhe trará um nado mais veloz. Não aproveitar bem a pernada e iniciar a braçada muito cedo é um dos grandes vilões para a tradicional “patinada”.
4 – Na segunda fase da braçada (puxada), não manter os cotovelos altos:
Apesar da maior propulsão do nado peito estar concentrada na pernada, uma braçada executada de forma imprecisa pode prejudicar o restante do nado, inclusive a eficiência da pernada.
Para que consigamos ter um bom nado e uma boa propulsão de perna, é muito importante que o quadril permaneça sempre alto, quase que no limiar da superfície. Na foto abaixo, temos uma sequência de imagens do ex-campeão mundial Patrick Isakson:
Foto 6

Um grade “vilão” da queda do quadril, é a posição dos cotovelos. Se eles não se mantiverem sempre altos, será inevitável impedir a queda do tronco, e consequentemente a queda do quadril.
Por essa razão, as fases iniciais da braçada devem sempre serem realizadas com os cotovelos altos, e em menor velocidade de execução. Contudo, em determinado momento, o nadador de peito terá que fazer a recuperação da braçada, momento em que irá unir os cotovelos para realizar o “arremesso das mãos à frente”. Esse segundo movimento deve ser o mais rápido possível, evitando que a “inevitável queda dos cotovelos” ocasione a queda do tronco e do quadril.
Abaixo trago uma imagem minha de 2001. Esse foi sempre um ponto positivo no meu nado. Constatamos na referida avaliação biomecânica de 2001, que meus cotovelos permaneciam sempre bem altos, permitindo que o meu quadril ficasse também alto e na profundidade ideal durante todas as fases do nado de peito:
Foto 7

5 – Erguer a cabeça (olhar para frente) de forma precipitada logo após iniciar a braçada (varredura para fora):
 Na natação em geral, qualquer movimento em desacordo com a hidrodinâmica irá ocasionar uma perda de velocidade e consequentemente um gasto desnecessário de energia. Mas em um nado bastante técnico, detalhista e lento como o peito, esses pequenos “vacilos” de posicionamento e alinhamento parecer ficar mais evidentes.
Todos sabem que no “streamline” (posição de deslize após a saída e viradas), a cabeça deve estar abaixada e “escondida” entre os braços, fazendo uma “flecha” com as mãos à frente:
Foto 8

No nado peito, ao final de cada pernada, o atleta deverá manter uma posição bastante similar ao “streamline”. Assim, manter a cabeça em um posição reta (olhando para baixo) durante a varredura para fora, passa a ser uma ponto de muita atenção.
Olhar para frente logo após o início da braçada (varredura para fora), ocasiona uma grande perda hidrodinâmica, e é um erro muito comum cometido até mesmo por atletas mais experientes, pois passamos a sentir a necessidade de respirar e nos posicionar na superfície (principalmente quando já está mais cansado ao final da prova).
O ideal é “atrasar” esse movimento da cabeça (de olhar para frente), realizando ele somente após finalizada a varredura apara fora, procurando aproveitar ao máximo a posição hidrodinâmica da cabeça “olhando para baixo” (streamline):
Foto 9

Espero que essas dicas possam ajudá-lo a nadar mais rápido e com maior economia de energia.
Aos colegas nadadores Masters, lembrem-se: Nunca é tarde para aperfeiçoar seu nado com educativos. 
UM ABRAÇO!
FISCHER.


Autor Eduardo Fischer, catarinense e natural de Joinville. Ex-Atleta Olímpico de natação da seleção brasileira e medalha de bronze no Mundial de Moscou, Fischer defendeu o país em dois Jogos Olímpicos (Sydney/2000 e Atenas/2004), 6 Campeonatos Mundiais e 1 Pan-Americano (Prata e Bronze). Bacharel em Direito e Advogado pela OAB/SC, Eduardo é especialista em Direito Empresarial pela PUC/PR e em Direito Tributário pela LFG/SP. Atualmente aposentado das piscinas, trabalha com Consultoria Tributária em um respeitado escritório de Advocacia (CMMR Advogados).





Publicado por Francismar Siviero



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Um comentário:

ALINNE COSTA disse...

O nado mais difícil para mim... obrigada por compartilhar esses detalhes tão importantes.